COLÉGIO DE ESTUDOS GLOBAIS | Conversa + Oficina
Desigualdades no Sul Global: passados presentes
Boaventura de Sousa Santos (CES/FEUC), Cesaltina Cadete Basto de Abreu (U. Agostinho Neto/U. Católica de Angola), Gustavo García López (CES), Hermes Augusto Costa (CES/FEUC), Jessé de Souza (Universidade Federal do ABC)
29 de outubro de 2020, 14h00 (GMT)
Evento em formato digital

Apresentação

Esta atividade realiza-se através da plataforma Zoom, sem inscrição obrigatória. No entanto, está limitada ao número de vagas disponíveis.
https://us02web.zoom.us/j/82291468514
ID: 822 9146 8514

Agradecemos que todos/as os/as participantes mantenham o microfone silenciado até ao momento do debate. O anfitrião da sessão reserva-se o direito de expulsão do/a participante que não respeite as normas da sala.

As atividades abertas dinamizadas em formato digital, como esta, não conferem declaração de participação uma vez que tal documento apenas será facultado em eventos que prevejam registo prévio e acesso controlado.

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Essa sessão será constituída por uma conversa via Zoom entre Jessé de Souza e Boaventura Sousa Santos (14h00-15h30), seguindo-se uma Oficina constituída por 3  três intervenções sobre Desigualdades seguidas por comentário de Jessé de Souza (Universidade Federal do ABC):

Cesaltina Cadete Basto de Abreu
Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto e Universidade Católica de Angola
Covid-19, uma Pandemia democrática?

Resumo:
Vem-se assistindo, desde o seu início, a discursos sobre a pandemia que recorrentemente mobilizam palavras como “todos”, “Nós”, “Juntos”, em frases como “o vírus atinge a todos”, o “vírus não escolhe classes sociais”, “estamos todos no mesmo barco” traduzindo uma ideia de uniformização da sua acção e consequências por nos tornar “todos” vulneráveis. Este discurso omite que: a) podemos estar todos no mesmo mar, mas uns em iates e outros sem boia, ou seja, as desigualdades de condições e de oportunidades e as discriminações no momento do contacto com a doença contam; b) embora o contágio possa ser universal, seguindo os passos e rotas dos urbanos globalizados, as suas consequências são particularmente sentidas pelos comuns localizados; c) a Covid-19 escancarou as desigualdades embutidas nas relações, mantendo embora as simplificações das dicotomias local-global, individual-colectivo, privado-público, centro-periferia, norte-sul, entre outras; d) o ónus da pandemia recai sobre as camadas mais pobres de todas as sociedades, e dentro destas, pelas mulheres e meninas, e outros grupos discriminados. A comunicação procura desconstruir estes discursos e apontar caminhos inspirados na filosofia UBUNTU para reinventar a Política, organizar a Economia, e recriar a Vida em Sociedade, respondendo simultaneamente às desigualdades expostas pela pandemia dentro das sociedades, e nas relações entre elas.


Hermes Augusto Costa
Faculdade de Economia da Universidadede Coimbra/Centro de Estudos Sociais
Vulnerabilidades e oportunidades para o mundo do trabalho

Resumo:
À escala global, a atual situação de emergência sanitária ditada pela covid-19 coloca em suspenso a sociedade como um todo. No mundo do trabalho em particular, o desemprego e as ameaças de despedimento coletivo em empresas de trabalho temporário, em setores como a hotelaria e turismo, etc., assumem contornos dramáticos e reforçam os riscos de desigualdade. Os que já se encontravam em situação vulnerável – trabalhadores temporários, em período experimental, com contratos a prazo, a recibo verde, entre outros – parecem ter reforçado essa condição. Colocam-se desafios quanto ao modo de “empoderar” o fator “trabalho” e as suas organizações mais representativas. 


Gustavo García-López
Centro de Estudos Sociais
A (in) justiça ambiental frente ao colonialismo do desastre

Resumo:
O nosso mundo caracteriza-se cada vez mais pela recorrência de crises e desastres, desde os (mal) chamados “naturais”, como furacões e terremotos, desastres económicos e de guerra, e, como agora se tornou claro, também desastres patogénicos. Esta condição, embora tenha implicações globais (pensemos na crise climática que ameaça todo o mundo), também se manifesta de forma altamente desigual através de categorias de diferença já conhecidas (classe, género, raça, norte-sul). Nesta apresentação, proponho rever estas múltiplas camadas ou “faces” da injustiça ambiental e colocá-las no contexto do que várias pessoas chamam "colonialismo do desastre", com um olhar ao caso de Porto Rico, mas também à dimensão global deste fenómeno. Em segundo lugar, inspirado por discussões recentes sobre as perspectivas decoloniais na justiça ambiental, relaciono as lutas contra esta política do desastre - política da morte (bio / homicídio) - à construção de projetos de autogestão que, em vez de atenderem apenas à destruição ambiental e às desigualdades socioeconómicas, promovem a liberdade num sentido mais amplo - uma "comunitarização" da justiça.
 

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